O que a juventude realmente quer?

O que a juventude realmente quer?

Em ano de eleição, muito se fala sobre os padrões de comportamento de determinadas classes sociais e muito se discute sobre como sua conduta se enquadra, ou não, nos arquétipos ideais de moralidade e ética esperados.

Neste cenário, um dos grupos que mais sofre críticas e preconceitos é, justamente, a juventude.

Mesmo representando uma massa extremamente heterogênea de indivíduos, com uma imensidão de variedades relativas à sua classe econômica, sexo, educação e cultura, frequentemente os jovens são tratados como um grupo sólido e sem diversidade ideológica, incapaz de refletir de forma complexa as mazelas e necessidades de nossa nação.

Atualmente, muitas críticas são formuladas sobre as diferenças entre as gerações anteriores e a polêmica geração Z, que hoje passa a ocupar posições relevantes na sociedade.

Da mesma forma, muito se julga as gerações ainda mais novas (Alfa e Beta), em razão de virem sendo altamente impactadas pelas novas tecnologias e suas facilidades.

Tais críticas, no geral, giram em torno da ideia principal de que a juventude não se preocupa com o futuro, não se importa com coisas sérias e é incapaz de pensar criticamente sobre a realidade, tendendo a focar naquilo que é simplório e passageiro.

Mas aí entra a pergunta mais importante sobre esse assunto: o que a juventude realmente quer?

E essa pergunta deve ser respondida com outra: será que os jovens de hoje em dia realmente não se importam com mais nada ou, na realidade, simplesmente não são levados a sério?

Obviamente, nós, do MUDE, ouvimos e discutimos com muitos jovens acerca de temas muito valiosos para toda a sociedade, e o que vemos é uma classe de jovens preocupada com seu próprio futuro, mas também com o futuro do país em que vivem.

É claro que também encontramos alguns jovens pouco interessados e outros que, infelizmente, não tiveram acesso à educação de qualidade capaz de os munir com o intelecto necessário para refletir sobre temas intrincados, mas até onde esses jovens são culpados pelo seu próprio descaso e ignorância?

Como dito anteriormente, os fervorosos críticos da juventude costumam tratar o “jovem” como um só, não se esforçando para considerar as diferenças entre um jovem sulista e um nordestino; um abastado e um paupérrimo; um formalmente educado e um que não teve acesso à boa educação.

Mesmo assim, tais críticos esperam dos jovens a postura que muitos anciões são incapazes de ter. Esperam dos jovens respostas para problemas que as gerações anteriores não foram capazes de responder. Acima de tudo, esperam que o jovem seja capaz de mudar o mundo para melhor, mesmo quando é tratado como preguiçoso ou incapaz.

E este é o ponto primordial. Muitas vezes, os mesmos críticos que julgam e discriminam a juventude não se importam em entender o que essa classe realmente quer e como realmente pensa.

Quando a juventude se organiza, se engaja e se prontifica a discutir temas importantes, muitas vezes não é levada a sério, justamente por aqueles que afirmam que os jovens “não querem saber de mais nada”.

Em razão disso, nós, do MUDE, afirmamos categoricamente que nós, jovens, nos preocupamos imensamente com as questões relevantes para o país, pois sabemos que seremos fortemente impactados por elas no futuro, ainda mais do que somos hoje em dia.

Nós compreendemos nosso papel na sociedade e sabemos que seremos os futuros líderes, trabalhadores, educadores e construtores da sociedade que será a casa das futuras juventudes.

Sabemos que seremos responsáveis por consertar aquilo que continua quebrado até hoje em nossa sociedade e que temos a tarefa de não permitir que os futuros jovens sejam silenciados e estereotipados como uma classe sem identidade.

Não somos tão duros com nossos colegas desanimados e sem fé no futuro, assim como sabemos que as gerações anteriores não foram com os seus, por isso sabemos que alguns jovens, mesmo que perdidos, não são despreocupados com seu futuro e com o daqueles que os cercam. Na realidade, a esses jovens é necessário demonstrar que as portas para a construção do futuro estão abertas e não as trancar a sete chaves.

Sabemos que é injusto e incorreto afirmar que “a juventude não quer saber de nada com nada”. Além disso, sabemos que é importante dar voz aos jovens para que possam fazer ouvir seus interesses.

Contudo, ao ouvir a juventude, é preciso se atentar à sua mensagem e não a ignorar.

Na realidade, não queremos mais saber da política do espetáculo, dos discursos vazios e das críticas sem fundamento aos diferentes. Queremos resoluções reais para os problemas existentes, não bravatas e propostas inconsistentes. Queremos líderes honrados e capazes de compreender as nuances da realidade, não broncos que não se importam com os detalhes.

No âmbito político, principalmente, não queremos mais do mesmo, não queremos tratar política como futebol e não queremos resumir o mundo a extremos manipuladores.

Queremos inovação, dinamismo e seriedade para discutir questões que realmente importam, abandonando os discursos floreados sobre pautas de costumes que não levam a nenhuma mudança prática.

É bem verdade que nós, jovens, padecemos do característico mal da inexperiência, uma vez que vivemos tudo pela primeira vez, mas, ao mesmo tempo, somos nós a classe agraciada com a ausência da frustração com a vida daqueles que viram a brutal dificuldade de mudar o mundo para melhor.

Ainda, temos interesse em participar das grandes discussões sobre assuntos de interesse público e sabemos da responsabilidade que essa vontade carrega. Contudo, não estamos dispostos a lidar com a política, a simplificando a meros extremismos.

Enfim, para saber o que a juventude quer, basta ouvi-la. Mas, em um grande resumo, queremos romper com o comodismo e conformismo político, os substituindo por uma abordagem renovada, mais atenta aos nuances da realidade e pragmática na resolução dos problemas existentes.

Queremos nos inserir nos espaços de debate e tomada de decisões públicas, mas o faremos do nosso jeito, honrando as conquistas alcançadas pelas gerações anteriores, mas descartando os dogmas que se demonstraram ultrapassados e ineficientes.

Autor: João Kochella

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