Semana de 14 a 19 de abril de 2026
Por Guilherme de Toledo e João Vítor de Carvalho
A semana trouxe uma virada inesperada no conflito: o Irã declarou, na sexta-feira (17), a reabertura do Estreito de Ormuz ao tráfego comercial durante o cessar-fogo, derrubando o petróleo quase 10% em um único pregão. No mesmo período, o FMI divulgou o seu World Economic Outlook de abril, rebaixando o crescimento global para 3,1% em 2026 sob efeito da guerra — mas surpreendendo ao elevar a projeção para o Brasil para 1,9%, acima do esperado. Em Washington, os dados do CPI de março confirmaram que a inflação americana acelerou com força, ao passo que a ata do FOMC e dados sólidos de emprego fecharam ainda mais a janela para cortes de juros em 2026. E na China, o PIB do primeiro trimestre chegou a 5,0%, acima das expectativas — sinalizando que Pequim resiste, por ora, ao pior cenário da guerra.
DESTAQUE DA SEMANA O Estreito Reabre — e o Petróleo Despenca
Cinquenta dias após o início do conflito, o mercado de petróleo viveu, em apenas 48 horas, uma das mais bruscas reversões de preço da história recente. Na quinta-feira (16), o Brent disparou quase 5% para US$ 99,39 por barril, reagindo à ausência de avanços nas negociações de segunda rodada em Islamabade, no Paquistão — que terminaram sem acordo pelo segundo final de semana seguido. A perspectiva de que o cessar-fogo de duas semanas expirasse na terça-feira (21) sem renovação levou traders a apostarem em nova escalada.
Na sexta-feira (17), porém, o chanceler iraniano Abbas Araghchi publicou nota declarando que o Estreito de Ormuz estava “totalmente aberto ao tráfego comercial” durante o período de trégua, exigindo apenas que os navios seguissem rotas coordenadas pelas autoridades marítimas iranianas. O Brent colapsou quase 10%, encerrando a semana em US$ 90,38 por barril — mínima de cinco semanas. O WTI cedeu 14,5% no acumulado semanal, para US$ 83,85.
| Brent (fechamento 17/04) | US$ 90,38/barril (−9% no dia) |
| WTI (fechamento 17/04) | US$ 83,85/barril (−12% no dia) |
| Variação semanal Brent | −5,06% |
| Variação semanal WTI | −14,5% |
| Pico da semana (Brent, 16/04) | US$ 99,39/barril |
| Cessar-fogo EUA–Irã (expiração) | 21/04/2026 |
Trump respondeu no Truth Social agradecendo ao Irã pela abertura do Estreito, mas deixou claro que o bloqueio naval americano às costas iranianas permanece “em plena força” até que um acordo definitivo seja firmado. O presidente disse que negociações poderiam ocorrer no fim de semana (18-19/04) e acredita que um acordo “virá em breve”. Também foram confirmados um cessar-fogo de dez dias entre Israel e Líbano, que entrou em vigor na quinta à tarde, e a possibilidade de que os EUA liberem US$ 20 bilhões em fundos iranianos congelados em troca de estoques de urânio enriquecido.
Líderes europeus e árabes do Golfo, porém, estimam que um acordo completo pode levar até seis meses. O diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, alertou que restaurar uma parcela significativa da produção de petróleo e gás interrompida pode levar até dois anos. Em paralelo, o diretor de pesquisa da AIE Birol reforçou que o impacto energético da guerra já criou a maior perturbação de oferta já registrada, com cerca de 20 milhões de barris por dia bloqueados ao pico do conflito.
“A volatilidade continua elevada na medida em que os conflitos no Médio Oriente seguem governando a ação de preços. EUA e Irã acordaram uma trégua temporária que ao princípio melhorou o apetite por risco, mas o efeito positivo tem sido parcial.” — Alejandro Padilla, diretor de análise econômica e financeira, Grupo Financiero Banorte
MERCADOS GLOBAIS Rali das Ações, Ouro em Máxima e Dólar em Queda
A perspectiva de resolução diplomática do conflito acelerou uma forte rotação de portfólios ao longo da semana. O S&P 500 renovou máximas em múltiplas sessões e encerrou sexta com ganho de aproximadamente 1,2% no dia, situando-se a menos de 1% de sua máxima histórica de 27 de janeiro. O índice acumula alta de 2% no ano — um desempenho que analistas consideram notável dado o choque energético. O Nasdaq avançou 1,96% apenas na terça-feira (14), puxado por Oracle (+4,7%), Nvidia e Palantir.
O ouro atingiu novo recorde histórico de US$ 3.252 por onça na semana, consolidando-se como principal refúgio frente à incerteza geopolítica e ao enfraquecimento do dólar. O índice DXY (dólar frente a uma cesta de moedas) segue em trajetória descendente; o euro subiu ao seu nível mais alto em três anos, a US$ 1,13 — alta de mais de 3,5% na semana anterior, o maior avanço em 15 anos. O iene se fortaleceu, pressionando o Nikkei, que cedeu 1,75% no período. Na Europa, DAX e CAC 40 avançaram mais de 2% na sexta-feira (17), animados com o colapso dos preços do petróleo.
| S&P 500 (desempenho na semana) | +~2% — próximo à máxima histórica |
| Nasdaq Composite (14/04) | +1,96% |
| DAX (Alemanha, 17/04) | +2,27% |
| Nikkei 225 (Japão) | −1,75% |
| Euro/USD | US$ 1,13 (máxima 3 anos) |
| Ouro (spot) | US$ 3.252/oz (recorde histórico) |
| VIX (Índice de Volatilidade) | 17,48 — recuo de 2,56% |
“O ciclo de alta de 45 meses das ações foi dobrado, mas não quebrado. Em termos históricos, uma queda de 10% ocorre a cada dois anos. Pode-se dizer que não é muito, dado tudo o que está acontecendo.” — Jurrien Timmer, diretor de macro global, Fidelity Investments
POLÍTICA MONETÁRIA — EUA CPI de Março Acelera; Fed Mantém Cautela para Abril
A semana trouxe dois dados cruciais para calibrar as apostas sobre o Fed: a ata da reunião de março do FOMC (divulgada na quarta, 15) e o CPI de março (divulgado na sexta, 10 de abril). O CPI de março registrou salto de 0,9% no mês — o maior avanço mensal desde 2022 — puxado por um aumento de 21,2% nos preços de gasolina. No acumulado de 12 meses, o índice cheio subiu para 3,3%, enquanto o núcleo (core CPI, excluindo alimentos e energia) manteve-se em 2,6%. A energia acumulou alta de 12,5% em 12 meses.
No mercado de trabalho, o payroll de março adicionou 178.000 vagas, número positivo porém moderado, e a taxa de desemprego ficou em 4,3%. O quadro misto — inflação acelerando por choque energético mas mercado de trabalho ainda resiliente — reforça a postura de espera do banco central. A ata do FOMC revelou que membros enxergam o choque do Oriente Médio como uma fonte de incerteza relevante, porém não como gatilho para mudanças imediatas de política.
| CPI março (mensal, s.a.) | +0,9% (maior desde 2022) |
| CPI março (acumulado 12 meses) | +3,3% |
| Core CPI março (anual) | +2,6% |
| Energia (12 meses) | +12,5% |
| Payroll março | +178.000 vagas |
| Taxa de desemprego | 4,3% |
| Meta Fed Funds (atual) | 3,50%–3,75% |
| Próxima reunião do FOMC | 28–29/04/2026 (sem dot plot) |
Na ata divulgada nesta semana, o comitê destacou que sete de seus dezoito membros já projetam zero cortes em 2026 — ante a mediana de um corte. Stephen Miran, único dissidente na reunião de março, votou por corte imediato de 0,25 ponto percentual. A reunião de abril (28–29) não terá publicação de novas projeções econômicas (dot plot), tornando a conferência de imprensa do chair Powell e as mudanças no comunicado os principais focos de atenção para os mercados. A expectativa quase unânime é de manutenção nos 3,50%–3,75%.
Cresce a atenção sobre a transição de liderança: o mandato de Powell se encerrou em 23 de maio, e Kevin Warsh — indicado por Trump e visto como mais hawkish — aguarda confirmação pelo Senado. A próxima publicação relevante é o PCE de março (26/04), o indicador de inflação preferido do Fed, que pode influenciar diretamente o tom da reunião de abril.
“Headline CPI jumped 0,9% month on month in March, driven by a 21,2% surge in gasoline prices, while payroll growth remained positive and unemployment changed little. That combination gives policymakers room to wait rather than pre-commit to either cuts or hikes.” — EBC Financial Group, análise sobre o Fed em abril de 2026
ECONOMIA BRASILEIRA IPCA Acelera, Foco Estoura a Meta e Ibovespa Atinge Recorde
IPCA de março: guerra empurra inflação para 4,14% em 12 meses
O IBGE divulgou na sexta-feira (10/04) o IPCA de março: alta de 0,88% no mês, acima da mediana de mercado (0,77%) e do teto das projeções dos analistas. Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses saltou de 3,81% para 4,14%, se aproximando novamente do teto da meta contínua de 4,5%. O grupo Transportes liderou a alta, com variação de 1,64% — puxado pela gasolina (+4,59%) e pelo diesel (+13,90%), reflexos diretos do choque do petróleo.
| IPCA março 2026 (mensal) | +0,88% |
| IPCA acumulado 12 meses | +4,14% |
| IPCA no ano (jan–mar) | +1,92% |
| Transportes (maior contribuição) | +1,64% |
| Gasolina (dentro de transportes) | +4,59% |
| Diesel (dentro de transportes) | +13,90% |
| Meta contínua (teto) | 4,50% |
A aceleração reacendeu o debate sobre o ritmo do ciclo de cortes iniciado pelo Copom em 18 de março, quando a Selic foi reduzida em 0,25 ponto percentual para 14,75% ao ano — o primeiro corte em dois anos. Segundo análise da Riconnect, enquanto o índice cheio foi pressionado pelos combustíveis e pela alimentação, os núcleos de inflação e os serviços subjacentes apresentaram sinais ligeiramente melhores, embora ainda exigindo cautela.
Focus de 13/04: expectativa de inflação estoura o teto da meta pela primeira vez em 2026
O Boletim Focus desta segunda-feira (13) trouxe uma sinalização contundente: a projeção de mercado para o IPCA de 2026 saltou de 4,36% para 4,71% — acima do teto de 4,5% pela primeira vez neste ano e a quinta alta consecutiva. A estimativa para a Selic ao final de 2026 permaneceu em 12,5%, enquanto a projeção de crescimento do PIB ficou em 1,85%. Para 2027, a projeção de inflação subiu para 3,91%.
| IPCA 2026 (Focus, 13/04) | 4,71% (acima do teto de 4,5%) |
| IPCA 2027 (Focus, 13/04) | 3,91% |
| Selic fim de 2026 (Focus) | 12,50% |
| PIB 2026 (Focus) | 1,85% |
| Selic atual | 14,75% (após corte de 18/03) |
| Próxima reunião Copom | 28–29/04/2026 |
O debate na mesa do Copom para a reunião de 28 e 29 de abril se torna mais complexo com a piora das expectativas. O banco central iniciou o ciclo em março com prudência — optando por 0,25 ponto percentual em vez dos 0,50 que o mercado esperava antes do início do conflito. Agora, com o IPCA acelerando e as expectativas desancoradas, parte dos analistas questiona se o ritmo de 0,25pp pode ser mantido, ou se o BC precisará pausar o ciclo até que o cenário externo dê sinais mais claros de acomodação.
Ibovespa renova recorde histórico; dólar cai a mínima de dois anos
No mercado financeiro doméstico, a semana foi marcada por um paradoxo curioso: mesmo com inflação acima da meta e Copom em ciclo incipiente de cortes, o Ibovespa bateu recorde histórico de 199.354 pontos na terça-feira (14), impulsionado por forte entrada de capital estrangeiro. O índice encerrou a sexta-feira (17) a 195.733 pontos, queda de 0,81% na semana — mas ainda acumula alta expressiva no ano. Dados da B3 mostram entrada líquida de R$ 14,6 bilhões de estrangeiros em abril até o dia 15, com saldo positivo no ano de quase R$ 68 bilhões.
O dólar à vista renovou mínima de fechamento desde março de 2024, encerrando a sexta a R$ 4,9836, com queda acumulada no ano de 9,21%. O movimento reflete uma rotação global de ativos saindo do dólar e dos EUA em direção a mercados emergentes — o Brasil se beneficia de forma desproporcional por ser exportador líquido de energia e por apresentar taxa de juros reais entre as mais altas do mundo.
| Ibovespa (recorde histórico, 14/04) | 199.354 pontos |
| Ibovespa (fechamento 17/04) | 195.733 pontos (−0,81% na semana) |
| Dólar (fechamento 17/04) | R$ 4,9836 (mín. 2 anos) |
| Dólar (variação no ano) | −9,21% |
| Fluxo estrangeiro em abril (até 15/04) | R$ 14,6 bilhões |
| Fluxo estrangeiro no ano | R$ 68 bilhões |
FMI — WORLD ECONOMIC OUTLOOK Guerra Sombreia o Crescimento Global; Brasil Surpreende
Na terça-feira (14), o Fundo Monetário Internacional divulgou o World Economic Outlook (WEO) de abril de 2026 — o mais relevante relatório de projeções globais do semestre. O título: “Global Economy in the Shadow of War”. A avaliação central do FMI é que a guerra no Oriente Médio interrompeu um ciclo de crescimento que estava, até fevereiro, projetado para ser acima da média recente.
No cenário de referência — que assume conflito de duração limitada e perturbação energética moderando até meados de 2026 —, o crescimento global foi revisado para 3,1% em 2026 e 3,2% em 2027, ante 3,4% estimados para 2024–2025. A inflação global sobe para 4,4% em 2026, ante a trajetória decrescente dos últimos dois anos. O FMI apresenta cenários alternativos: no cenário adverso, o crescimento cai a 2,5% e a inflação sobe a 5,4%; no cenário severo, com o Estreito de Ormuz fechado por mais tempo e expectativas inflacionárias desancoradas, o crescimento global cai a 2,0% — fronteira da recessão global.
| Crescimento global 2026 (ref.) | 3,1% (ante 3,4% em 2025) |
| Crescimento global 2027 (ref.) | 3,2% |
| Inflação global 2026 (ref.) | 4,4% |
| Cenário adverso — crescimento 2026 | 2,5% |
| Cenário severo — crescimento 2026 | 2,0% (beira da recessão global) |
| EMs exc. China — revisão de crescimento | −0,3 p.p. em 2026 |
| MENA — revisão acumulada 2026–27 | −3,0 p.p. |
O FMI surpreendeu ao elevar a projeção do PIB brasileiro para 1,9% em 2026 — acima dos 1,7% estimados em janeiro. Pierre-Olivier Gourinchas, economista-chefe do Fundo, explicou que o Brasil se beneficia da melhora dos termos de troca como exportador líquido de energia, além do carryover do forte segundo semestre de 2025. O alerta do FMI é que, em 2027, o Brasil pode desacelerar levemente, pressionado pelo eventual aperto das condições financeiras e pela inflação importada.
“The war has stopped that momentum and we now project growth of 3.1 percent this year — under our reference forecast — with inflation rising to 4.4 percent, a sharp departure from the previous trend. Risks are firmly to the downside.” — Pierre-Olivier Gourinchas, economista-chefe do FMI, 14 de abril de 2026
CHINA PIB de 5% no 1º Trimestre Supera Expectativas; Demanda Interna Ainda Fraca
Na quinta-feira (16), o Departamento Nacional de Estatísticas da China divulgou o PIB do primeiro trimestre de 2026: crescimento de 5,0% em termos anuais, superando a expectativa de analistas de 4,8% e acelerando 0,5 ponto percentual em relação ao quarto trimestre de 2025. O resultado marca um começo sólido para o período do 15.º Plano Quinquenal (2026–2030) e reforça que a China está dentro — ou acima — da meta oficial de 4,5% a 5% ao ano.
O principal motor foi a indústria de alta tecnologia, com expansão de 12,5% — respondendo por 32,6% de todo o crescimento industrial do período. Equipamentos de impressão 3D (+54%), baterias de lítio (+40,8%), veículos elétricos (+45,4%) e robótica industrial (+26%) foram os destaques. O comércio exterior registrou o maior crescimento trimestral em cinco anos. No lado da demanda, contudo, as vendas no varejo desaceleraram para 1,7% em março (ante projeção de 2,4%), sinal de que o consumo interno ainda não decolou.
| PIB China T1/2026 (anual) | +5,0% (acima dos 4,8% esperados) |
| PIB T4/2025 para comparação | +4,5% |
| Indústria de alta tecnologia | +12,5% |
| Produção industrial (março/anual) | +5,7% |
| Vendas no varejo (março/anual) | +1,7% (abaixo dos 2,4% esperados) |
| PIB em valor (T1/2026) | RMB 33,4 trilhões (≈ US$ 4,87 tri) |
Analistas alertam que a resiliência chinesa no trimestre se apoia mais em exportações e indústria do que em consumo doméstico — desequilíbrio que pode se aprofundar caso a guerra prolongue a desaceleração do comércio global. A Feira de Cantão (Guangzhou), a maior feira comercial do país, registrou queda de encomendas e aumento de custos de frete, segundo relatos de expositores à AFP. O FMI, em seu WEO de abril, revisou levemente para cima a projeção para a China graças ao carryover de 2025, à redução parcial de tarifas americanas e ao apoio fiscal adicional.
COMÉRCIO INTERNACIONAL Cessar-fogo Parcial Acalma Mercados; Exportações dos EUA em Máxima
A sinalização de reabertura do Estreito de Ormuz produziu efeitos imediatos no comércio global. Segundo analistas, o anúncio iraniano é parcial — navios precisam seguir rotas coordenadas por Teerã —, mas suficiente para que seguradoras comecem a reavaliar apólices de guerra canceladas nas últimas semanas. Armadores que desviavam frotas pelo Cabo da Boa Esperança já discutem retomada gradual das rotas diretas pelo Golfo Pérsico.
Nos Estados Unidos, o choque energético teve o efeito colateral de impulsionar as exportações de petróleo a patamares próximos a recordes históricos, com a Europa e a Ásia buscando alternativas ao óleo do Golfo Pérsico. O fenômeno aproximou os EUA do status de exportador líquido de energia pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial. Para o Brasil, as exportações de petróleo e soja seguem robustas, com o real se beneficiando da melhora dos termos de troca — fator que ajuda a explicar a queda de 9,2% do dólar no ano.
AGENDA O que Acompanhar nos Próximos Dias
Segunda-feira, 20/04
- Brasil: Focus (Boletim do BC) — expectativas de inflação e juros pós-IPCA de março.
Terça-feira, 21/04 — FERIADO no Brasil (Tiradentes)
- EUA/Irã: expiração do cessar-fogo de duas semanas. Possível anúncio de extensão ou ruptura — ponto crítico para o petróleo.
Quarta-feira, 22/04
- EUA: Vendas de imóveis existentes (março). Início da temporada de resultados corporativos pesados (Alphabet, Tesla).
Quinta-feira e Sexta-feira, 24–25/04
- EUA: PMI preliminar (abril), pedidos de seguro-desemprego. Resultados de Meta, Microsoft e Amazon.
Sábado, 26/04
- EUA: PCE de março — indicador de inflação preferido do Fed, decisivo para moldar o tom do FOMC de 28–29/04.
Semana de 28–29/04 — SUPER QUARTA
- FOMC (28–29/04): taxa esperada mantida em 3,50%–3,75%; conferência de Powell e mudanças de linguagem no comunicado serão o foco. Reunião sem dot plot.
- Copom (28–29/04): debate entre manutenção e novo corte de 0,25 pp na Selic (de 14,75% para 14,50%). Focus acima do teto de meta complica a decisão.
POLÍTICA Análise da Conjuntura Política
A Guerra do Irã não é somente um ataque a vida das vítimas no oriente médio, ela também ataca a política global, em novembro de 2026 haverá as eleições de meio de mandato nos EUA, ela renovará todas as 435 cadeiras do Congresso e 35 de 100 assentos do Senado, além disso, ela definirá os rumos econômicos e ideológicos dos EUA e, por consequência, do resto do mundo pelos próximos 2 anos. O presidente americano Donald Trump vê a sua popularidade cair a cada dia devido a posições ideológica controversas e aos efeitos da guerra.
Sua desaprovação atual varia entre 51% e 57%, o que bate com o favoritismo democrata para as eleições de congressistas, apesar de historicamente o governo de situação tende a perder cadeiras para o de oposição, esse ano projeta uma perda ainda maior e uma preocupação dos Republicanos para as eleições presidenciais de 2028.
Nos últimos anos se percebeu uma certa paridade entre as eleições americanas e as brasileiras, fazendo com que os cenários das eleições presidenciais americanas se repitam no Brasil 2 anos depois. Se esse ano essa paridade continuar, nós veremos uma vitória da direita brasileira em 2026, assim como aconteceu em 2024 nos EUA, e esse cenário se mostra real nas pesquisas para intenção de voto com a popularidade de Lula despencando e o nome de Flávio Bolsonaro se consolidando.
Contudo, as eleições para Presidente dos EUA de 2028 revelam um cenário perigoso para a direita brasileira, afinal, se a esquerda promover um nome popular pós-lula e a direita de Flávio não fazer um trabalho que agrade a população, o filho de Jair Bolsonaro pode seguir o mesmo caminho de seu pai e cumprir apenas um mandato.
ANÁLISE Virada Diplomática Real ou Armistício Temporário?
A reabertura parcial do Estreito de Ormuz pelo Irã na sexta-feira (17) é, ao mesmo tempo, a maior boa notícia econômica das últimas semanas e o mais incerto sinal da semana. “Parcial” é a palavra que importa: os navios precisam seguir rotas aprovadas por Teerã, o bloqueio naval americano se mantém e o cessar-fogo tem prazo de validade — a expiração no dia 21 é o próximo grande ponto de inflexão. Mercados comemoraram, mas analistas experientes lembram que a história de conflitos no Oriente Médio é pródiga em armistícios que se desfazem.
Para o Brasil, a semana foi ambivalente de forma peculiar. O país recebeu um upgrade do FMI (1,9% de PIB), viu o Ibovespa romper 199 mil pontos pela primeira vez, o dólar recuar a R$ 4,98 e registrou entrada maciça de capital estrangeiro. Ao mesmo tempo, a inflação de março surpreendeu para cima, o Focus estourou o teto de 4,5% e a reunião do Copom de 28–29 de abril chega em momento de máxima complexidade: o banco central precisa decidir se continua cortando juros em ambiente de expectativas de inflação desancoradas e conflito ainda não resolvido.
A lógica que sustenta o otimismo dos mercados — a de que a guerra foi um choque temporário sendo absorvido — pode se revelar frágil se as negociações EUA–Irã da semana que vem não avançarem. Um Brent de volta acima de US$ 95–100 reacenderia a inflação global, forçaria o Fed a sinalizar menos cortes ainda em 2026 e colocaria o Copom numa posição indefensável de cortar juros com inflação acima da meta. Este é o cenário que os mercados estão precificando como improvável — mas que está a apenas um fracasso diplomático de distância.
“The global economy was on a steady growth trajectory and we were looking to upgrade our projections. The war has stopped that momentum. The economic impact will depend on the duration and scale of the conflict and could be worse under our adverse and severe scenarios.” — Pierre-Olivier Gourinchas, economista-chefe do FMI, 14 de abril de 2026
Fontes desta edição: FMI/WEO abril 2026 · IBGE (IPCA) · Banco Central do Brasil (Focus) · BLS/CPI março 2026 · Agência Brasil · CNN Brasil · CNBC · Reuters · Infomoney · Jornal de Brasília · Revista Fórum · China2Brazil · Diário Carioca · TradingEconomics · Fidelity Investments · World Gold Council · EBC Financial Group · Federalreserve.gov.
*As informações desta newsletter têm caráter informativo e não constituem recomendação de investimento.